julho 30, 2003

Nova Iorque II

Nova Iorque - Primeira Parte

Em 1997 fui pela primeira vez viajar a sério para fora de Portugal. Era a primeira vez que saía da Península Ibérica, a primeira vez que ficava fora do país mais do que um fim-de-semana. O meu pai levou-me a mim, ao meu irmão e à minha mãe a Paris. Foi bestial. No ano seguinte o meu pai morreu e daí em diante, a minha mãe decidiu levar-nos todos os anos a um sítio diferente.

Foi assim que conheci, entre outras, Londres, Veneza, Florença, Viena. Durante uma semana habitávamos um só destino: sem dispersões, sem querer galgar quilómetros. Tentámos aproveitar cada uma dessas semanas para, dentro dos possíveis, viver como os habitantes das cidades que visitávamos.

No ano 2001, em boa hora, escolhemos visitar Nova Iorque. Por nenhuma razão em especial, decidimo-nos pela Big Apple e em Março lá estávamos.

Este foi o primeiro contacto com aquela cidade. O início de uma paixão.

Habitámos um loft do número 173 da rua Lafayette, Manhattan, propriedade do jornalista Jeff Magness da Associated Press que se encontrava em viagem pela Rússia e decidira arrendar, por uma semana, a sua própria casa.

Ainda não tinha saído de Brooklyn e já um sentimento especial emanava do meu interior. Nova Iorque não é só Manhattan (apesar desta ser a melhor parte e praticamente a única que conheço), mas também Queens, Brooklyn e o Bronx. O Mayor Giulianni fez questão de expulsar todos os sem-abrigo, vagabundos e criminosos de rua, o que transformou Manhattan numa cidade extremamente segura e, embora não tanto, também os restantes bairros o são.

Nunca nutri particular afecto pelos americanos. Também não sou contra. Reconheço as suas qualidades e defeitos, mas uma coisa é certa: aquele país é único. Mas esta será uma posterior discussão.

Quem já foi aos EUA provavelmente já terá sentido esta sensação: entrar nos Estados Unidos é como entrar num filme. As pessoas falam como nos filmes. As pessoas comem como nos filmes. As casas, os anúncios, os carros são como os dos filmes. As cores são as dos filmes. Os cheiros são os dos filmes.

Quando saí do aeroporto tive o primeiro contacto com um taxi amarelo - cheirava a caril, tinha música indiana e era guiado por um sikh que passou toda a viagem a fazer duas vénias de 20 e 20 segundos, enquanto murmurava umas palavras ao rádio. Ainda hoje não sei porquê.

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foto de Garrett Le Sage

Entrei na ilha de Manhattan pela ponte homónima, vindo do JFK, vendo pela primeira vez o famoso skyline cortando a escuridão da noite. E lá atrás, como pano de fundo, lá estavam elas: as torres gémeas do World Trade Center.

Sempre que vou para um país novo, no primeiro dia fico extremamente nervoso - é a sensação de não ter nenhum controlo sobre nada - sensação falsa, mas aterradora. Em Nova Iorque senti-me logo confortável. Ao contrário do que costumam dizer, pelo menos como primeira impressão, Nova Iorque não era nada aquela cidade fria e (ob)escura como diziam. Era cosy. Mas eu considero-me um ser urbano.

(continua)

Publicado por scheeko em 02:26 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 28, 2003

Nova Iorque

Todos os que me conhecem já o sabem: volta e meia lá volta ao assunto - Nova Iorque. Esta é uma das cidades que mais me fascina. Dentro em breve explicarei porquê.

Publicado por scheeko em 08:15 PM | Comentários (7) | TrackBack

julho 25, 2003

campanha de sensibilização à senilidade da população

Campanha de Sensibilização à Senilidade da População

O Metro de Lisboa é onde eu tenho encontrado as mais variadas e, sobretudo, as mais divertidas formas de loucura urbana. Uma das suas variantes é a da manifestação política de grupos de cidadãos ou indivíduos a sós sobre os mais variados temas.
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Eu tenho por hábito recolher estas pérolas (fica tudo a olhar para mim quando descolo os autocolantes).

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A mais recente é esta, da Campanha de Sensibilização à Senilidade da População. Uma boa resposta e eficaz solução para o problemas dos saudosistas.

A dos Sentadinhos e Caladinhos é outra destas fabulosas manifestações, que recolhi já há cerca de ano e meio, quando regressei de Nova Iorque e me deparei com este sentimento tão característico da tristeza urbana portuguesa. Já conhecia este fenómeno, mas só depois de comparar com metropolitanos de outras grandes cidades é que pude confirmar que este é um mal endémico muito característico dos portugueses. Que é feito daquelas senhoras que falavam com tudo e todos?


Publicado por scheeko em 01:49 AM | Comentários (5) | TrackBack

ai (*suspiro*), que piada...

Criticar os Blogs

Depois de uma pequena ausência, cá vamos.

Como já disse neste blog, Aristófanes ensinou-nos a não zombar dos insignificantes. E geralmente os meus princípios são geridos dessa maneira. Mas não consigo conter-me ao ler o agradável Criticar os Blogs. Quem por lá andar pela primeira vez, não se deixe enganar pelas alegres cores e flores que dão um ar infantilmente fresquinho ao blog - é puro veneno. A verdade é que aquilo é duro: em apenas três dias e sete entradas, desanca tudo e todos, em especial os de lá de cima. Qual Robespierre da blogosfera decapita os blogs da estratoblogosfera. A embaixadora do poder apócrifo, uma tal Carla Guedes, lança uma cruzada contra Pedro Boucherie Mendes e Ivan Nunes. Mas é sobretudo José Pacheco Pereira que é mais visado pela dita senhora. Diría mesmo que só ouvir o seu nome lhe causa erisipela.

Todas as críticas são facciosamente fundamentadas e nada escapa. Nem ao autor do Abrupto, se lhe deixa coleccionar objectos perdidos!

Porquê minha senhora? Porquê tanta raiva. Olhe que foi assim que o World Trade Center foi abaixo.

Publicado por scheeko em 01:06 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 19, 2003

anos 20

bbc Ontem de manhã vi, pela primeira vez, a notícia de que tinha sido encontrado um corpo, ao mesmo tempo que a família de do Dr. Kelly o dava como desaparecido.

David Kelly estaria no centro de uma polémica - a meu ver gravíssima - entre o governo do Reino da Inglaterra e a BBC, que denunciou as falsidades praticadas por aquele sobre as capacidades bélicas do Iraque.

Agora já se diz que o corpo é compatível com a descrição de Kelly e que foi encontrado a meia dúzia de quilómeros de sua casa.

Que estranho. Ou não? Estas são histórias de crimes iguais às que desde sempre ouvi acontecerem nos anos dos gangsters. Há décadas que não se ouve (muito) de casos como este.

Mas será que foi mesmo assassinado? Estou convencido que sim. As reacções são no mínimo estranhas:
- talvez seja suicídio;
- He is not used to the media glare, he is not used to the intense spotlight he has been put under. Richard Ottaway, Tory MP

Ainda assim, que raio de assassinato é este? Mais atenções não poderia chamar. Ou será esse o propósito? Será que este senhor tinha ainda mais revelações a fazer - se estas não são já suficientemente graves? E porque é que o assassinariam depois de já se saber aquilo que se sabe? Será apenas vítima de um louco?

Nestas alturas, o que não costuma faltar são teorias da conspiração. Não gosto. Nunca gostei. Nunca levam a nenhum lado. Mas não posso deixar de manifestar a minha surpresa e curiosidade sobre este estranho acontecimento.

Não quero deixar de realçar os tempos estranhos em que vivemos sobretudo desde os finais do século passado. Após uma década de fulgor económico espectacular, vivemos uma recessão a nível mundial - algo que alguns já tinha esquecido, outros (como eu) nunca tinham conscientemente vivido. É uma recessão estranha, visto que (ainda) não se sentem aqueles sintomas característicos da quinta-feira negra, ou da superinflação alemã, que podemos ler nos livros de história. Em dois anos assistimos a dois conflitos armados de grande envergadura, pese embora curtos. Assistimos a um ataque terrorista, beyond our wildest dreams. Vamos assistir ao maior alargamento da União Europeia, numa altura em que alguns dos grandes estão em conflito. Estamos a assistir ao questionamento das autoridades americanas e britânicas por terem descaradamente mentido aos seus povos.

Veremos o que vai acontecer.

Publicado por scheeko em 01:21 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 18, 2003

aviso

Tive de mudar o sistema de comentários. Recoloquei manualmente os comentários no sistema antigo, neste novo e mantive os privados, bem, privados. Se alguém estiver descontente, diga. Espero que não. Espero que esteja tudo a funcionar bem.

Publicado por scheeko em 11:37 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 17, 2003

English As She Is Spoke

English As She Is Spoke
Crónica publicada em www.100ideias.org, depois de uma investigação despoletada por um post de um blog

Em deambulações pela internet dei de caras com esta pérola da literatura de linguística. Em 1855 foi publicado um dos primeiros guias de conversação Português-Inglês; sob a égide de José da Fonseca e Pedro Carolino saiu o English As She Is Spoke, uma obra tão incrivelmente má, que desde então tem sido reeditada como obra-prima da estupidez mais pura.

Agora que é reeditado, mais uma vez, em Nova Iorque, divulgou-se também um estudo de 2002 da autoria de Alex MacBride, sobre as causas que podem ter levado a tamanha incompetência. Desde a primeira edição do livro, que ambos os autores têm sido considerados como bestas ignorantes e profundamente ridicularizados. As investigações de MacBride sugerem que o que se passou foi o seguinte:

José da Fonseca era um académico responsável, que dominava várias línguas entre as quais o Francês e o Inglês. Entre as suas publicações contavam-se Novo Guia da Conversacao, em Portuguez e Francez, em Duas Partes. Por razões obscuras e ainda não esclarecidas, talvez ligadas a intrigas editoriais, um tal Pedro Carolino, que não sabia uma única palavra de Inglês resolveu pegar neste último volume e num dicionário Francês-Inglês para criar o English As She Is Spoke. Porque razão aparece o nome de Fonseca juntamente com Carolino na capa deste livro, ninguém sabe. Macbride sugere que terá sido vítima de um embuste ou terá estado mentalmente incapaz nos últimos anos da sua vida, que coincidem com a aparição do guia, visto que ele era um profissional capaz.

O resultado é que logo imediatamente à sua publicação, o English As She Is Spoke tornou-se num delicioso livro de anedotas. As reedições sucederam-se entre as quais uma prefaciada por Mark Twain que afirmou:

"Nobody can add to the absurdity of this book, nobody can imitate it successfully, nobody can hope to produce its fellow; it is perfect."

Esta compilação de estupidezes resultou então da tradução literal de frases francesas, que tinham sido traduzidas e adaptadas por Fonseca ao francês a partir do original Português. Aqui seguem alguns exemplos hilariantes:

Original: Barriga cheia, cara alegre.
Tradução Correcta: A full stomach makes for a content face.
Versão de Carolino: After the paunch comes the dance.

Zombo deles; o meu navio é armado em guerra, tenho equipagem vigilante e animosa; e as munições não me faltam.
I laugh at them; my ship is armed for war; I have an alert and courageous crew, and I have plenty of ammunition.
I jest of them; my vessel is armed in man of war, i have a vigilant and courageous equipage, and the ammunitions don't want me its.

Ainda não é tempo delas; mas os damascos brevemente estarão maduros.
It isn't the season for them; but the apricots will soon be ripe.
It is not the season yet; but here is some peaches what does ripen at the eye sight.

Este lago parece-me bem piscoso. Vamos pescar para nos divertir-mos.
This lake looks full of fish to me. Let's have some fun fishing.
That pond it seems me many multiplied of fishes. Let us amuse rather to the fishing.

Já não sei como me hei-de haver com esta casta de gente.
I don't know what to do any more with this sort of people.
I don't know more what I won't with they servants.

Vamos mais depressa. Nunca vi pior besta. Não quer andar, nem para diante, nem para trás.
Let's go faster. I never saw a worse animal. It doesn't want to go either forward or backward.
Go us more fast never i was seen a so much bad beast; she will not nor to bring forward neither put back.

Seja a quem for que pergunte por mim, dizei-lhe que não estou em casa.
No matter who comes asking for me, tell him that I'm not at home.
Either to who it will be that it asks for me, you say to it that I am not in house.

Dando uma queda Philippe, rei de Macedonia, e vendo a extensão de seu corpo impressa na poeira, exclamou: "Grandes deuses! Como é acanhado o espaço que, neste universo, ocupamos!"
King Phillip of Macedon fell down, and seeing the outline of his body in the dirt, said, "Oh Great Gods! How small is the space we take up in the universe!"
Philip, king's Macedonia, being fail, and seing the extension of her body drawed upon the dust, was cry: "Greats gods! that we may have little part in this universe!"

Certo ferroupilha pedindo, em Madrid, esmola a um sujeito, este respondeu-lhe: "Tu és moço, e melhor for a trabalhasses, que exercer tão vergonhoso mister." "Meu senhor, acudiu o orgulhoso mendigo; eu peço-lhe dinheiro, não lhe peço conselhos."
A beggar in Madrid accosted a passerby, who told him, "You're a healthy young man; it'd be better for you to work, instead of taking up such a shameful profession." The proud beggar replied, "I asked you for money, not advice."
A beggar, to Madrid, had solicited the pity of a passenger. "You are young and strong, told him that man; it would be better to work as you deliver to the business who you do.-- It is money as i beg you reply immediately the proud beggar, and not councils."

Sem dúvida maravilhoso. É Portugal a fazer rir o mundo! Quem quiser mais pérolas pode aceder aqui a outros excertos do livro.


Publicado por scheeko em 09:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

ha!

Estava a ouvir o fórum da TSF e, apesar da iniciativa ser louvável, serve para corroborar a minha já publicamente expressa ideia de que o tuga gosta de opinar. E opina muito e opina sobre tudo.

Ora não é que o ouvinte Vítor, indignado com as disparidades entre o litoral e o interior e com a falta de produção do país, resolveu recomendar ao Sr. Primeiro-Ministro, qual ido governante do Brasil, que leve a Capital do Império para o interior, como por exemplo Castelo Branco. Sim, em Lisboa continuaria uma capital do turismo, mas a capital administrativa deveria ser levada para Castelo Branco. Extraordinário! Do que esta gente se lembra!

Eu sempre fui partidário da descentralização e da efectiva dispersão dos aparelhos administrativos, mas tal ideia nunca me tinha passado pela cabeça. Provavelmente a culpa é de D. Afonso Henriques: para que é que saíu de Guimarães?

Mais uma sugestão bushiana do ouvinte Vítor: "Custa-me ver o País em chamas. O Governo deveria cortar as árvores. Sim, ao menos poderíamos guardar a madeira para queimar no inverno já que vejo tanta gente passar frio."

Fica portanto uma questão, um tanto incómoda, mas que me assola há já algum tempo: até que ponto é que se pode e deve dar voz a quem quer falar?

Publicado por scheeko em 11:23 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 15, 2003

Livros?!

Há cerca de dois anos comprei, para oferecer à minha mãe, um livro chamado Sabores da Toscana, de Stephanie Alexander e Maggie Beer. É um belíssimo livro de culinária, cujas receitas são óptimas e a qualidade gráfica é altíssima.

Hoje peguei nele e lembrei-me do seguinte facto, que já na altura me espantou: quando escolhi o livro, pensei que iria pagar cerca de seis ou sete contos - já se sabe, este tipo de livros de culinária é sempre assim: capa dura, mais de quinhentas páginas, muitas e belíssimas ilustrações, design, impressão e papel de muito boa qualidade. O livro estava em promoção e acabou por me custar pouco mais de dois contos. Em casa, reparei que no interior, juntamente com as especificações técnicas dizia o seguinte: preço aprox. 3000$00. O desconto da promoção foi bom, mas era efectivamente o livro que era barato, especialmente tendo em conta o tipo de livro que é. Só resta dizer uma coisa: a tradução e publicação é da responsabilidade da editora Könemann Verlagsgesellschaft mbH.

Já não é a primeira vez que neste curto blog digo bem de estrangeiros. Mas enquanto que da primeira foi para criticar a visão curta característica dos lusos, desta vez é para me queixar das editoras nacionais (o que no fundo também é falta de visão): há anos e anos que se queixam que é difícil ser-se editor em Portugal e que os portugueses não lêem. Pudera! se o povo já é iletrado e tem pouco interesse por livros, não são certamente os preços que agora (e desde já há muito tempo) se praticam que vão inverter essa tendência. Os livros estão caríssimos. A situação que apresentei é um mero exemplo. Mas podemos ir à Amazon e ver o que acontece lá fora: um romance anda entre os $10 e $20 - é sensivelmente o mesmo que por cá se pede. Mas nós ganhamos metade, ou um terço, ou talvez ainda um quarto do que se ganha em Inglaterra, em França, em Espanha, na Alemanha, nos EUA... São casos diferentes!

Senhores editores, a situação actual por vós praticada é quase incomportável para a cultura nacional, que, se bem me recordo, é o motor do vosso negócio. Portanto, salvo raras excepções, e além de outros, são vós os culpados da pouca leitura no país. E não me digam que não conseguem fazer mais barato, a Könemann consegue.

Publicado por scheeko em 07:32 PM | Comentários (1) | TrackBack

tenho de citar

A minha política é não entrar em círculos de citações e referências, mas esta não consigo evitar:

Para quem pensava que não havia justiça no mundo:
"One American, One Spaniard Gored at Final Bull Run of San Fermin Festival (...) The American, identified as Robert Fluhr, 27, of Arkansas, was gored in the buttock".
Agora só falta acontecer o mesmo a cerca de metade da população portuguesa.

Por Ralo. As melhoras aos dois, em especial ao Fluhr. É que é mesmo grave. Não estou a brincar.

Publicado por scheeko em 07:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 14, 2003

piada de blogueador


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Publicado por scheeko em 09:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

ansiedades de blogueador

Eu já conhecia o que era um blog há algum tempo. Talvez há um ano. A primeira vez que tomei contacto com estes seres foi através da página do Blogger e na altura resolvi espreitar alguns dos links das últimas actualizações para ficar a saber o que realmente era um blog. Lembro-me de na altura só ter visto sites de adolescentes americanas que se serviam de blogs para pôr à vista de todos, as mais variadas e insignificantes coisas que lhes tinham acontecido durante o dia. Achei inútil e além do mais piroso - é que realmente a maioria era.

Mais tarde vim novamente a tomar contacto com os blogs; desta feita tinha dado de caras com uma comunidade portuguesa, em círculo, que utilizava os blogs como grito público (no entanto privado!), exprimindo as coisas que muito bem entendiam. Pouco tempo depois saiu a reportagem na Visão e aí tomei verdadeira consciência da dimensão do fenómeno. Decidi também criar o meu blog, por dois motivos: o primeiro porque gosto de criar páginas de internet - acho que os novos meios tecnológicos são excelentes meios de expressão criativa; em segundo lugar, apesar de já ter o meu espaço de crónicas na 100ideias, queria um lugar privado (público!) para libertar os meus pensamentos. São variados, mas tentando que a temática seja a do espírito dos portugueses e a suas célebres (in)capacidades.

Mas como qualquer blogueador (ou bloguista? será blogueiro, ou ainda blogante?) iniciado, há ansiedades que nos assolam (se esta generalização estiver errada, digam-me): porque é que realmente estou a fazer isto? Interessa a alguém? Será que eu acho que isto interessa? Vou conseguir mantê-lo? E agora que o tenho, alguém vai lê-lo? Como é que o vou divulgar? Também vou tentar entrar na blogosfera? Vou entrar na roda que gira? Quero ser um bestseller? Vou ser um bestseller! Vou? Não sejas parvo!

Eu acho que vou tentar ficar por cá. Gosto disto.

Publicado por scheeko em 03:56 AM | Comentários (5) | TrackBack

julho 13, 2003

utopias

Todos sabem que as tentativas de implementação de utopias no mundo real acabaram invariavelmente mal. O mais flagrante dos exemplos será o Comunismo, que em teoria é muito bonito. A utopia é, por definição, utópica, portanto qualquer um que se dedique a tentar criá-la falhará rotundamente. E é por isso que o mundo não é perfeito; e é por isso que só sistemas não utópicos é que funcionam.

Deixaremos então a utopia para a literatura? Eu defendo que quase todas as ideias utopicamente boas têm um papel fundamental na nossa construção como sociedade simbiótica. O que quero dizer é que apesar de as utopias serem irrealizáveis, todos nós somos melhores seres humanos se vivermos as nossas vidas e construirmos os nossos objectivos tendo como ideal subjacente uma utopia, nunca esquecendo que ela é o que é, e portanto, utópica. São sonhos pensados, cujo objectivo é ajudar a traçar caminhos, a elevar padrões e cuja existência, deve ter-se sempre presente, é volátil.

Publicado por scheeko em 04:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 12, 2003

E ainda a crise...

No outro dia fui correr praia fora. Ao fim de algum tempo, cansado, com calor, sentei-me numa esplanada para beber algo refrescante. Estava a olhar para lista e vejo o nome Mazagran. Até que enfim! Alguém que ainda nos consegue servir um mazagran sem que se tenha de explicar como é que é feito! Era isto mesmo que ia escolher até que olhei para o preço: €1,75. O quê? Quem é que vai dar quase quatrocentos paus por um copo com um café aguado fresco com uma rodela de limão? Está tudo louco ou quê?

Como toda a gente sabe, este caso não é único. As esplanadas, cafés, restaurantes e afins, pelo menos aqui para os lados da Capital do Império (lembro-me que há uns meses, no Porto, os preços eram bem mais baixos) andam todos a praticar preços incomportáveis. Mas como toda a gente também sabe, apesar das queixas dos comerciantes, as esplanadas e restaurantes estão sempre cheios. Há gente que se dá ao luxo de pagar estes preços por ninharias. E essa gente é muita. O que me faz questionar sobre o seguinte: se há crise, como é que as pessoas gastam dinheiro assim? Será que não têm dinheiro contado no fim do mês? E se têm, não seria nestas coisas supérfluas que deveriam cortar? Das duas uma, ou a falta de dinheiro não é assim tão grande (e digo que nestas esplanadas se vêem pessoas de várias classes sociais), ou então estas não são coisas supérfluas, o que também é preocupante, porque se não cortam aqui cortam noutras coisas, como por exemplo livros.

Eu acho que os preços, tal como estão, são incomportáveis. Mais tarde ou mais cedo isto vai rebentar. Estamos a ser roubados. Provavelmente os donos dos cafés dirão o mesmo, portanto não sei bem quem é o ladrão, mas as coisas tal como estão, são impossíveis de manter. Detesto ser ave agoirenta, mas penso que as Clark's e cia. foram apenas o princípio. Um exemplo é as casas que se vê para alugar/vender; eu vivo na zona das segundas casas/casas de fim-de-semana - Cascais - e de um momento para o outro, a quantidade de placas a dizer Aluga-se disparou. Porque será?

Publicado por scheeko em 01:40 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 09, 2003

Crise & Gasosa

Hoje estava a ouvir a TSF quando, de repente, aos meus ouvidos chegam as palavras de uma anúncio da Galp - Energia Positiva! Trata-se de um novo produto, um cartão em que os pais creditam uma certa quantidade de dinheiro para os filhos poderem gastar em gasolina. Assim, alegam, há mais controlo; e tudo isto ao som de um adolescente que regozija à medida que a quantia no seu cartão é aumentada pelo seu querido Pai. Antigamente pedia-se a bênção, agora é a gasosa.

Isto leva-me a questionar a tão falada crise. Ou não há crise, ou os promotores de Marketing da Galp são idiotas. Ou então são os tugas, os idiotas. É que o simpático adolescente do anúncio não se dá já por contente em ter ao seu dispor uma viatura (muito provavelmente por obra e graça do trabalho das entidade parentais), bem como alguém que pague os seguros, as revisões, as inspecções (isto se tiver o azar de ter recebido um carro com mais de 4 anos), as lavagens, os pneus e as portagens, mas ainda se dá ao luxo de receber dos pais o dinheiro da gasolina. Ou os jovens de hoje não têm dignidade, ou os pais estão tolos.

A liberdade conquistada no 25 de Abril não é sinónimo de libertinagem, nem de irresponsabilidade e não é afogando os petizes com bens materiais que se podem colmantar falhas que os pais outrora tiveram. Que se queira o melhor para os seus filhos, é perfeitamente legítimo e mais, deveria ser uma preocupação de todos os pais. Mas este objectivo não pode fazer com que numa nação já pouco responsável, sejam criados ainda mais irresponsáveis - irresponsáveis que nunca sofreram na vida por nada.

Publicado por scheeko em 08:21 PM | Comentários (2) | TrackBack

A Crise

A Crise é Real

A crise existe. E é grave.

Este post segue como um desabafo. Eu faço parte da Associação 100ideias; é uma associação juvenil cultural, sem fins lucrativos, do concelho de Cascais (podem dar uma vista de olhos em www.100ideias.org). Temos um projecto para a baixa de Cascais com um duplo objectivo: animar e dinamizar o centro pedonal da cidade e ainda promover e debater a nova música portuguesa. Assim propomo-nos a organizar um ciclo de concertos durante todos os fins-de-semana do mês de Setembro, no Largo de Camões e no Parque Palmela, acompanhados de conferências semanais e demonstrações no Centro Cultural de Cascais. A localização é excelente, mais central não poderia ser. Os pequenos comerciantes só ficam a ganhar. Os ouvintes e os transeuntes também. Da prestável Câmara Municipal já temos o som e a autorização. As bandas, seleccionadas no projecto online iniciado em Fevereiro na nossa página, são de todo o país e, embora ainda com pouca visibilidade no panorama musical nacional, têm de ter qualidade naquilo que fazem. Propomo-nos também a ajudá-las no seu percurso. Conferencistas, já temos alguns confirmados, assim como muitas das bandas.Só nos falta pouca, coisa; uma vez que este projecto pretende ajudar as bandas a promoverem-se não serão pagas para tocar. Mas como também ninguém gosta de ter de pagar para tocar, queremos arranjar patrocinadores para a alimentação, estadia e outras despesas que as bandas possam ter. Não será nada por aí além.

E porque é que eu digo que a crise é Real? Patrocinadores só temos um: o Beefeater's em Cascais, dispõe-se a alimentar os músicos. Mais ninguém. Destes todos, Lois, Ballantines, Avis, Apple, IPAE, AEIOU, Siva, Entreposto, IOL, Associação dos Comerciantes de Cascais, Sacoor, Citroën, Honda, Peugeot, EDP, Sony, Siemens, Páginas Amarelas, Scott Urb, Corte Inglés, Schering, Somague, Mota-Engil, Galp, Bp, Shell, Salvador Caetano, Fiat, Ford, Mitsubishi, Nabisco, Lipton, Cintra, Panrico, Olá, Dan Cake, Kellogg's, Schweppes, Sumol, NovaDelta, Danone, Nestlé, Triunfo, Compal, UNICER, CENTRALCER, Coca-cola, Pepsi, DHL, Hard Rock Café, Caves Aliança, Bacardi Martini Portugal, Vizzavi, Telepac, TVCabo, Clix, Jazztel, PT, ONI, Novis, Optimus, Vodafone, TMN, Portugalia Airlines, Valentim de Carvalho, Diapasão, IOP Musica, Salsa, Casino Estoril, HP, Compaq, Toshiba, Chip7, Yorn, ninguém tem um tusto. Coitados. A vida está difícil...

Ah! Esqueci-me de dizer, os donos do Beefeater's são ingleses. Curioso, não é?

Publicado por scheeko em 12:25 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 08, 2003

trocas e baldrocas

Descobri o site www.bookcrossers.com. Trata-se de um local onde as pessoas se inscrevem e depois registam os seus livros. A cada um desses livros é dado um código de identificação - BCID - e depois é-nos proposto o seguinte desafio: cole uma etiqueta no livre a dizer que é um livro viajante, que pretende deambular de mão e mão e que cada novo dono deverá ir ao site, introduzir o número de registo do livro e, caso queira, fazer comentários ao que leu. Depois só se pede que o deixe esquecido algures, para que possa seguir o seu caminho.

Penso que é uma ideia bestial. Não que considere que é desta forma que se vai resolver os problemas culturais do mundo, até porque geralmente quem tem a mente aberta a este tipo de actividades é já uma pessoa predisposta para a cultura. Mas há certos aspectos interessantes: em primeiro lugar, algo deste tipo e com esta envergadura só poderia ser feito com a internet de hoje, e se há muitos que apregoam o fim do papel como suporte de ideias e escritos, penso que esta mistura livros/novas técnologias só será benéfica para esta relação que não se quer dicotómica. Acho também que este tipo de relação livro-pessoa-livro é bastante íntima e sedutora e pode criar laços de cumplicidade não só entre pessoas, como também com os próprios livros. É bom para a leitura, dos que já gostam de ler e dos que podem, por um acaso desde há muito ocultado pela sociedade moderna, passar a gostar de ler.

Eu já estou a preparar a pequenina, mas belíssima peça de teatro de Alessandro Baricco, Novecentos, para ser largada por Lisboa.

Publicado por scheeko em 01:41 AM | Comentários (3) | TrackBack

julho 07, 2003

pensamentos

Há alturas em que nos dedicamos ao pensamento de questões mais
melindrosas. Questões filosóficas, problemas da vida, nossa e
do mundo, cujo pensar pode ser útil para toda a sociedade. Quando me
dedico a esse tipo de pensamento, dou comigo a questionar-me quantas pessoas
estarão neste momento a pensar sobre estes assuntos. Porque serei eu
original? E quantas pessoas em tempos passados terão pensado nestes mesmos
problemas, com as óbvias implicações de enquadramento socio-cultural?
Será que valerá a pena? Será que eu farei a diferença.
Provavelmente não. A estatísitica diz-nos que não. Mas
é isso que nos torna humanos e não formigas. Não somos
seres completamente sociais e o nosso processo de auto-construção
é muito importante. O tempo que cada um gasta neste tipo de pensamento
varia muito de pessoa para pessoa, mas o que é relevante é que
todos nós precisamos de nos confrontar com problemas maiores que nós
e muitas vezes incomportáveis. Ainda bem, pense-se. Mas lembremo-nos
que sem trabalho, não há boa ideia que dê frutos
.

Publicado por scheeko em 11:48 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 05, 2003

walk in the rain

"Some people walk in the rain, other just get wet"
Roger Miller

Publicado por scheeko em 02:20 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 04, 2003

tacanhos

Tacanhos


São tacanhos, os tugas. No outro dia, falava com o pai de um amigo meu,
que me dizia: "uma vez, estávamos lá em Espanha a acampar
e levei o Luís a um restaurante. Na altura ele comia que se fartava e
mal acabou o prato o dono do restaurante abeirou-se dele e perguntou-lhe se
ele queria mais. Claro que sim! Encheu-lhe o prato e não cobrou mais
por isso."
Ganhou um cliente fiel e toda a sua comitiva (leia-se família,
que passou as férias a ir lá comer). É este tipo de mentalidade
que nos falta. Não é que sejamos incompetentes, nem estúpidos.
Somos simplesmente burros, tacanhos e não há reforma alguma que
vá funcionar, não há aumentos de produtividade se não
se mudarem as mentalidades. Há que ter visão e o exemplo tem de
vir de cima.

Publicado por scheeko em 09:33 PM | Comentários (5) | TrackBack

julho 03, 2003

um começo

Eu comecei agora nestas coisas dos Blogs. Não posso dizer que tenha sido por moda: só agora é que soube disto. Na verdade já tinha ouvido falar do site da Blogger há bastante tempo, mas os únicos Blogs que na altura lá vi eram diários inúteis (para mim, claro) de adolescentes americanas.

Depois descobri a exponencialmente crescente comunidade bloguista portuguesa onde muita coisa interessante é discutida. Desde que cá cheguei, além dos blogs pessoais e intransmissíveis tenho visto acesos despiques políticos e sobretudo uma auto-análise dos blogs e seu movimento. Como ainda sou novo nestas andanças, pouco sei dizer, mas relato os anseios de novato:

Será que alguém quer ler o que eu escrevo? E mesmo que queiram, como é que o vou encontrar? Ahh! isto é uma futilidade, não vai para aqui. Para quê comentar o Berlusconi. De certeza que já 1167 bloguistas o fizeram e deve haver pelo menos um com opinião muito parecida à minha. E porque é que na maioria dos posts dos outros bloguers há referências de parte a parte. Afinal isto não é apenas um diário público de manifestações puramente narcisistas! Não! No fundo é um grande campo de batalha onde cada um dispõe do seu quinhão de terra para esgrimir os seus argumentos!

Vejamos... no que sai do meu...

Publicado por scheeko em 03:07 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 01, 2003

Crónica Surreal

XLZ43.psi2™
crónica surrealista sobre o destino do mundo
original em www.100ideias.org

"Perhaps
you will not only have some
appreciation of this culture; it is even possible
that you may want to join in the greatest adventure
that the human mind has ever begun."

Richard P. Feynman

Todos dizem que está mal. Tudo está mal, especialmente em Portugal. E os Portugueses dizem-no primeiro. É preciso fazer isto e aquilo, remendar acolá, reformar aqui, renovar ali. Mentalidades novas! Sim, todos aqueles que antes o proclamaram, ou se suicidaram, ou não conseguiram implementar aquilo que afirmavam. Tivemos e temos bons poetas, tivemos e temos bons escritores. Tivemos e temos bons pensadores, cientistas e juristas. Fazemos revoluções sem mortos, descobrimos caminhos, mas... e agora? Todos os dias pergunto isto, como todos antes de mim o fizeram e disseram: agora é que vai ser, é só passar este momento de crise. Não. ( Já agora, quem não leu os Lusíadas pode fazê-lo aqui ) Não. E não. Vamos ficar a olhar? Vamos.

Agora já pouco choca. Tirando o absolutamente horrendo, o desumano, já pouco choca. Não há vergonha, pudor, brio ou amor-próprio. Só amor ao próprio. Aristófanes disse um dia que não vale a pena zombarmos dos insignificantes; o poeta faz mira aos que têm o poder. Mas nós não aprendemos. A minha conclusão é de que os portugueses são, por natureza burros. Não é casmurros, teimosos, ou maldispostos: é mesmo burros. Fazemos sempre os mesmos erros, vezes e vezes sem conta desde há 850 anos. É verdade. Dizem que não trabalhamos. É verdade. Poucos trabalham e geralmente os que trabalham empregam mal os seus recursos. Só alguns se escapam a este destino. Antes de mais quero convocar uma greve. No próximo dia 1 de Julho, das 8h30 às 18h00, peço a todos que parem tudo aquilo que estão a fazer e que, bem, trabalhem. Sim. Uma greve de trabalho. Original.

E porque é que é importante trabalhar? Para sermos os melhores da Europa? Para termos mais telemóveis? Para integrarmos o pelotão da frente? Para sermos mais industrializados? Para termos mais riqueza? Para sermos os melhores? Não. Ninguém nos obriga a ser do 1º mundo. Se todos forem felizes num país do terceiro mundo, tanto melhor - cá se arranja, certamente. Trabalhar - só para uma coisa: para não roubar. Para sermos pessoas honradas e decentes. Simplesmente isso: não roubar.

Publicado por scheeko em 12:59 AM | Comentários (2) | TrackBack